sábado, 27 de julho de 2013

PLANEJAMENTO

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  “Caxias precisa de 
  novas áreas centrais”

Para o pós-doutor em Direito Urbanístico pela Universidade de Lisboa e professor universitário, Adir Rech, o Centro de Caxias do Sul precisa de um planejamento em longo prazo. Criar novas 
áreas centrais é uma das saídas.•.
Na visão de Rech o centro de Caxias chegou ao seu limite de esgotamento, com os engarrafamentos, veículos, número de pedestres, estabelecimentos comerciais, todos agrupados no local. Se as mudanças não forem providenciadas, a estrutura existente em breve não vai mais suprir as demandas do crescimento da cidade.
Adir, que também foi secretário Municipal do Planejamento durante o governo de Mário Vanin, entende que se perdeu muito tempo nestes últimos anos quando não se seguiu as linhas direcionadas pelo Plano Diretor na metade dos anos 90 que criava a descentralização. Caxias precisa criar novos centros e uma estrutura viária que faça a ligação entre eles, de forma que a mobilidade urbana funcione.
Para Rech, as decisões a serem tomadas têm que ser rápidas e corajosas, “não podem ser paliativas porque em 15 ou 20 anos a situação ficará insolúvel”. O ex-secretário afirma que, caso o planejamento em longo prazo não for feito e trabalhado, o que se faz em curto prazo, para sanar problemas com soluções imediatas, terá que ser desconstruído em breve, a exemplo dos prédios-garagem que se proliferam no Centro caxiense.
Para ele, se a área central for planejada de forma a privilegiar o passeio, comércio, as pessoas, e lazer, com restrições de veículos, em breve os prédios-garagem, utilizados como soluções momentâneas, não servirão mais. 
Para ele, hoje tudo é feito para privilegiar o automóvel na área central de Caxias. Para Rech,“ao se colocar garagens não se poderia trazer automóveis para o centro. Qualquer região de Caxias passa pelo centro e em qualquer lugar”. Isto, segundo ele, “ajudaria para que a população não se aglomerasse em apenas uma área para as atividades de comércio, serviços e setores públicos”. 

 “Uma das saídas 
 seria um trem elétrico
  na Avenida Júlio”


“Precisamos de uma definição técnica para que Caxias não dependa apenas de um centro, temos que criar novas áreas fora das perimetrais em localidades como Ana Rech, Desvio Rizzo, Forqueta, Santa Lucia, Galópolis, Santa Fé, Kayser e outros”, diz Rech.  Ele projeta que para se induzir as pessoas a ficarem nestes centros deve-se criar um sistema viário integrado que atenda aos interesses de todos. 
Eles começam pela descentralização dos serviços públicos, com implantação de banco para que possa ser feito o pagamento, por exemplo, do IPTU, e de todas as demais contas mensais, que haja farmácias, postos de saúde, enfim, todo aquele serviço básico não havendo mais necessidade de se vir para o centro de Caxias. “Com este novo centro cria-se também uma nova atividade comercial que vai tornar-se autossustentável”, argumenta. Entre as mudanças necessárias, Adir sugere, inclusive, o planejamento de um trem elétrico suspenso na Avenida Júlio de Castilhos. Ele cita o exemplo de Lisboa que adotou o sistema com sucesso, descentralizando e estabelecendo o sistema de garagens. No entendimento de Rech “o trem elétrico seria instalado no canteiro central da Avenida Júlio sendo o meio de locomoção das ruas terminais  e das pessoas que vão para o centro. Se retirariam os veículos e os ônibus que passariam  a utilizar as perimetrais  que também precisam sofrer uma série de reformulações fazendo com que elas encontrem um sistema de trânsito livre com a construção de elevadas e outras melhorias, permitindo que  não tenham os obstáculos atuais que prejudicam  a trafegabilidade dos veículos”.
Segundo Rech, “a prova  de que como nunca houve um planejamento para  descentralizar, e que todos querem instalar seu comércio no centro, foi a autorização da construção de dois grandes supermercados  numa mesma quadra,  próximo ao estádio Alfredo Jaconi, entre  a 20 de Setembro e Ernesto Alves. As próprias construções de escolas públicas e particulares  não levam em conta a acessibilidade  e a localização. Temos ainda grave questão  da densidade demográfica  possibilitando que todos os espaços tenham prédios enormes sem consultar se existe qualquer infraestrutura ao lado deles”. 


“Caxias é projetada para 
   a classe média e rica”

Rech preconiza que caso não for planejado o zoneamento urbano, grandes empresas podem começar a sair de Caxias. “Elas, por suas localizações, vão precisar de uma nova estrutura viária e acessibilidade adequada, um sistema de transportes que possibilite um sistema de ligação para o transporte de carga via rodoviária e ferroviária. Se não for dado a sustentabilidade, elas podem ir embora de Caxias, pois a situação hoje atingiu um ponto de esgotamento total para se chegar e sair delas”.
O profissional de direito urbanístico acha que a Lei de Mobilidade Urbana implantado pelo Governo Federal “é um faz de conta que está determinando um prazo para o município como se ele fosse uma ilha. O governo teria que se preocupar com um Plano Nacional de Mobilidade Urbana, com aeroportos, portos, transporte de trem de carga à distância, rodovias de trafegabilidade ligando os estados. Aí, sim, os municípios vão adequar seus planos de mobilidade urbana aos planos nacionais. Hoje, não há projeto nacional”.
As principais consequências da falta de planejamento apontadas por Adir Rech são a desigualdade e segregação social. “A cidade é planejada para as classes média e alta”, denuncia. De acordo com ele, “as periferias que se formam no entorno de qualquer centro urbano são decorrência da falta de planejamento com foco nas classes mais baixas. 42% da população nacional vivem nas periferias das cidades e continuam crescendo sem nenhum planejamento criando uma verdadeira degradação urbana e humana”.
Rech revela que hoje em Caxias qualquer terreno custa no mínimo R$ 150 mil. “Poucos têm dinheiro para comprar, daí porque a cidade é projetada para a classe média e rica” adverte. Para o urbanista, “é necessário fazer zoneamentos para abrigar a população que não tem acesso aos espaços planejados. Fazer uma inclusão social com o barateamento dos custos dos loteamentos é uma necessidade urgente”. 
Profissional em Direito Urbanístico defende um trem elétrico nos canteiros centrais da Júlio e retirar os ônibus e carros do centro de Caxias

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