sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ruídos prejudicam audição

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Barulho em excesso nas grandes cidades pode causar perda auditiva
 Mal começa o dia e já se ouve o som das buzinas dos carros. No trajeto para o trabalho, no trânsito, fica-se exposto ao barulho dos ônibus ou do metrô. Além disso, é preciso conviver com os ruídos das obras no edifício vizinho ou da britadeira que fura o asfalto da rua. Chega a hora do almoço. Para relaxar, recorre-se a fones nos ouvido para ouvir música no volume máximo. São situações e comportamentos comuns a todos nós nas grandes cidades. Mas será que essa rotina é saudável? O otorrinolaringologista Jairo Airton Guarienti explica como proteger os ouvidos do excesso de ruído.

Gazeta - Como ouvimos os sons?
Dr. Guarienti - O som é um deslocamento de pressão atmosférica, através de ondas sonoras que se propagam em linha reta à noite e, durante o dia, se dispersam mais com os raios solares. Por isso, o som se propaga melhor à noite e tem mais intensidade, podendo ser ouvido em longas distâncias.

Gazeta - O que causa a perda auditiva?
Dr. Guarienti - A perda auditiva tem vários fatores, doenças sistêmicas, infecciosas endócrinas, genéticas, vasculares, por traumatismos como acidentes, e trauma acústico por ruídos.

Gazeta - O hábito de ouvir música com volume alto pode comprometer a audição?
Dr. Guarienti - Sim, ouvir música com ou sem fone de ouvido acima de 70 decibéis, por mais de uma hora, causa trauma acústico, que vai se somando com o tempo constante de exposição aos altos volumes. Com tanto barulho em excesso, o cérebro coordena o ouvido a diminuir sua elasticidade, bem com sua vascularização, diminuindo seu aporte sanguíneo e levando à anoxia, nos componentes do ouvido, causando um sofrimento interno, que resulta na morte ou degeneração das células que captam, podendo causar zumbidos ou barulhos contínuos, mesmo no silêncio.


Gazeta - Quais os tipos de prevenção para quem é obrigado a trabalhar em lugares barulhentos?
Dr. Guarienti - As leis criadas obrigam as empresas a oferecer proteções contra ruídos. Existem também os abafadores externos e internos que reduzem imensamente o impacto do som. Antes da Constituição de 1988, não existia essa preocupação com os trabalhadores, e a grande maioria das empresas não era fiscalizada.

Gazeta - Quais os efeitos da poluição sonora sobre a saúde humana?
Dr. Guarienti - São vários. É uma doença que leva ao estresse, diminui a imunidade, predispõe a ter doenças infecciosas, geralmente tem infecção de ouvidos, sinusites de repetição e até pneumonia, tudo causado pela lesão auditiva que fica tinindo no ouvido. O paciente não consegue o descanso do sono e, além disso, entra em um círculo vicioso de ter insônia, que leva a doenças psicossomáticas e até psiquiátricas, devido ao barulho contínuo. Mesmo sem barulho, eles percebem ruídos intensos.
Há uma desorganização do organismo pelo estresse contínuo, tendo doenças sistêmicas que levam ao desequilíbrio das funções normais do organismo. O paciente com um grau considerável de perda auditiva se isola em seu mundo, fica um ermitão, típico autista, vivendo sem se comunicar, e entra em estado depressivo tendo na literatura até casos de suicídio.

Gazeta - Quais doenças estão associadas ao excesso de exposição a sons muitos intensos?
Dr. Guarienti - Doenças psicossomáticas, de origem nervosa, doenças psiquiátricas e agora está em estudo um tipo de Mal de Alzheimer com perda de memória causada pela degeneração nervosa provocada pelo ruído intenso.

Gazeta - Como um indivíduo pode saber se está com problemas auditivos?
Dr. Guarienti - Inicialmente, quando aumenta o volume do rádio e da tevê, quando fala muito alto, quando pergunta várias vezes para repetir e não ouviu. Os exames são laboratoriais, exames de audiometria, imitanciometria, discriminação com o índice de recepção da fala e o limiar que é o grau de capacidade que o paciente tem de se comunicar com as pessoas e com o mundo.  

Gazeta - Quais as recomendações para ter uma audição sadia?
Dr. Guarienti - Não se expor a ruídos contínuos acima de 70 decibéis e, quando tiver que conviver em suas profissões, usar protetores ou preferir locais adequados para proteger a audição. Hoje estão muito em uso, os celulares, que funcionam como Walkman, MP3, em que os jovens estão propensos a ser futuros surdos devido a esses aparelhos. Então sugiro a terem cuidado em ouvir músicas em volume alto em regime de continuidade.

Acompanhe os limites do barulho
 Áreas residenciais: 50 decibéis de dia e 45 à noite.
 Áreas comerciais: 60 decibéis de dia e 55 à noite.
 Áreas industriais: 70 decibéis de dia e 60 à noite.
 Próximo a hospitais e escolas: 50 decibéis de dia e 60 à noite.
 Áreas rurais: 40 decibéis de dia e 35 à noite.

                                                                         Foto:Divulgação
"Principal limite ainda é o bom senso. Nem todo 
mundo tem um aparelho de medição", diz especialista

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